Às vezes, eu paro, penso e repenso tudo aquilo que abri mão só pra tentar fazer alguém feliz.
Então, vi que pessoas partem, que nunca estão satisfeitas com nada, que querem sempre desordenar o coração da gente, querem tirar o que podem só pra depois sentirem o gosto de que nada deixaram além de um grande vazio. Hoje estou em primeiro plano, estou muito mais à frente do que qualquer sentimento barato, do que qualquer superexposição. Demorei a entender que é melhor eu me ajeitar com a consciência, com a certeza de que muita coisa já foi tarde, e que eu gosto de amanhecer sem qualquer sensação de estranheza no peito. Tenho apreço por aquilo que não rouba minha identidade, não zomba do que é verdadeiro. Perdi muito tempo tentando me achar onde não havia lugar, onde não havia nada mais do que palavras e atitudes sem sentido de gente que nunca conseguiu ser.A vida é curta demais para eu me prolongar em ausências. Fecho a porta, viro a página, mudo o disco. Vou atrás do que é referência de vida. Vou atrás de mim mesma.
Nem sempre é fácil libertar-se de certos vícios de amor. Mas sei que não nasci para ser qualquer coisa, para ser adorno, para ser acessório de alguém. O que empaca não faz a vida andar, o coração movimentar, a alma aquecer. Demorei até colocar um freio naquilo que já estava se tornando abusivo.Demorei, mas fui retornando aos poucos, fui trazendo minha bagagem de volta, fui filtrando aquelas emoções que já não serviam mais.
Eram roupas velhas e esfarrapadas, coisas incertas que eu deixei acumular no fundo do armário, achando que talvez, um dia, novamente as pudesse usar. Que nada. Elas foram, assim como eu fui. Agora estou retornando à minha casa, estou retornando ao meu próprio convívio.Voltei daquela sensação de dormência e impotência. Despertei, arrumei-me, passei um batom, ajeitei o semblante e pedi por felicidade, paz e luz.