“Talvez você esteja apenas sendo muito seletiva”, diz minha amiga
indiferente, levando uma garrafa de cerveja aos lábios. Estamos sentadas
em um bar de sua escolha, e arejando nossas queixas sobre a vida. Ela é
infeliz com sua carreira, ou a falta dela, e eu estou tentando resolver
a minha dicotomia pessoal de querer amor e nunca querer conhecer
alguém.
“Você sempre foi muito exigente.”
Não é como se ela estivesse dizendo algo que eu não enxergo em mim
mesma. Às vezes sinto uma espécie estranha de inveja de tantas pessoas
em minha vida estarem em um relacionamento, e começo a me preocupar se
meu amor pela solidão é um sinal de que algo está errado comigo. E eu
não posso evitar questionar meu próprio comportamento.
Onde foi que eu errei?

Eu costumava invejar alguns dos meus amigos e a facilidade com que eles
entravam em relacionamentos casuais. Eles não precisavam saber se
estavam apaixonados ou imediatamente imaginar um futuro. O primeiro
encontro não era algo com o que se obcecar – eles focavam apenas no
agora. E o agora era alguém que gostavam e apreciavam.
Nunca entendi como fazer isso. Eu queria dar todo o meu coração, ou
nada. Isso não significa que as coisas acabam em casamento ou tatuagens
de nomes, mas eu não posso evitar querer olhar para alguém e
momentaneamente pensar: “Se o para sempre fosse agora, eu o aceitaria.”
E com certeza, isso acompanha um monte de solidão. Há uma dor surda que
vem de conhecer pessoas e nunca sentir muita coisa. Talvez por isso eu
parei de querer procurá-la. E parece mesquinho me queixar disso, mas
quando me vejo sentada em frente a um homem perfeitamente agradável e
bonito e não sinto nada, na verdade estou cheia de um vazio. E o medo do
vazio é tudo que vou conhecer.
“Você é muito exigente.”
A verdade é que eu não gosto de dar chances às pessoas. Romanticamente,
pelo menos. Estou dentro ou fora. Minha mãe costumava me dizer que era
apenas o meu jeito. Não era ruim nem bom, apenas eu.
Ser exigente, seletiva ou qualquer rótulo que te coloquem não significa
nada. Padrões elevados, baixos padrões, tudo isso. São apenas frases e
palavras que tentam usar para uma explicação. Então, as pessoas podem
dizer-lhe que é por isso que você está triste. É por isso que você tem
dificuldade em encontrar alguém. É por isso que até mesmo seus
relacionamentos não estão te satisfazendo o suficiente.

Ninguém além de você sabe qual o melhor caminho. Às vezes nem você mesmo
sabe. Meu caminho foi tão curvo. Mas eu acho que parei de tentar forçar
as coisas para o bem dos outros. Eu não vou apenas ter namoros casuais
para passar o tempo, só porque meu amigo me disse para fazê-lo. Eu não
vou perder meu tempo conhecendo alguém que já sei que não é a pessoa
certa. Eu prefiro me apaixonar pela pessoa que sempre esteve lá. Eu
preferiria descobrir quem ela é e o que quer. Talvez eu seja “muito
exigente”, porque estou mais interessada agora em aprender a me amar
novamente.
Em algum momento, eu me apaixonei. E não foi por um namorado. Foi por mim mesma.
Então, eu estou tentando fazer isso. Eu estou tentando descobrir onde
está essa desconexão. Eu estou aprendendo quem sou de novo. Porque mudei
e evolui.
Às vezes a vida não é sobre perseguir o amor. Trata-se de criá-lo. E
isso é o que eu tenho que fazer agora. Eu tenho que criar meu próprio
amor para que o amor futuro tenha uma chance. Eu me devo isso.